Renata Catena 55ª Exposição de Arte Koguei Bunkyo

Por admin, 16 Maio, 2025
Renata Catena na 55ª Exposição de Arte Koguei Bunkyo

Meu trabalho começou num momento em que eu buscava silêncio. Foi no barro que encontrei.

Sou Renata Catena e ainda estou no começo do meu caminho na cerâmica. Tenho aprendido aos poucos, com as mãos e com o tempo, entre tentativas, erros e pequenos acertos que me animam.

Venho de uma vida corrida. Empreendo, toco projetos sociais, mas foi na cerâmica que encontrei um lugar diferente. Um ritmo mais calmo. Um tempo mais presente.

Neste momento estou me preparando, com muito carinho, para uma possível seleção na 55ª Exposição de Arte Koguei – Bunkyo, uma das mostras mais importantes da arte nipo-brasileira.

Só de poder me preparar já me sinto honrada. Estou fazendo o meu melhor, com calma e respeito pelo processo. Às vezes, simplesmente colocar-se no caminho já diz muito.

Tenho sido guiada com muita sensibilidade pela minha professora Magali Ercolin, que me ensinou a ouvir o barro e entender que ele tem seu próprio tempo.

Para esse momento criei duas peças inéditas. Elas foram inspiradas na cerimônia do chá japonesa (Chanoyu), que sempre me tocou pela simplicidade dos gestos e pela delicadeza do essencial.

As peças ainda estão cruas, em secagem natural. Em breve seguirão para a primeira queima, quando o barro começa a se transformar e revelar sua textura real.

O primeiro vaso, mais alto e contido, se chama Chaji. Tem paredes finas e presença discreta. Representa o preparo, o gesto contido e a espera silenciosa.

O segundo vaso, mais baixo e mais largo, se chama Chawan no michi, o caminho da tigela de chá. É aberto e acolhedor, com uma borda levemente irregular, quase como um convite.

As duas peças conversam entre si. Uma guarda a estrutura, a outra oferece abertura.

Além da forma, venho pesquisando também os materiais. Para essas peças preparei um esmalte feito com cinzas de madeira e café. A cor final ainda é um mistério, e eu gosto disso. O fogo sempre tem a última palavra.

Misturar, testar, errar… tudo isso também faz parte da cerâmica. Tem algo de alquimia nisso, mas acima de tudo exige paciência.

Estar nesse processo, mesmo antes de saber se serei selecionada, já é um presente.

Porque mais do que mostrar um trabalho, é uma forma de afirmar um jeito de estar no mundo.